Ansiedade: O que vai na minha cabeça?

12:41


Cabeça a mil, constantemente. Coração ora parado, ora a "alta velocidade". Respiração ofegante. Dor no peito. Nó na garganta. Falta de apetite. Dor no estômago. Tremores. Tonturas. Vómitos. Desmaios. E tudo de novo. Incontrolável.
Começa de manhã a preocupação, sentir que não sou capaz de enfrentar os desafios a que o dia me submete. Entretanto, o dia vai passando, tonturas sempre presentes, cólicas, dores que não consigo explicar onde se situam, mas que existem e a grande intensidade. Fim do dia, os sintomas pioram. A minha cabeça piora. O banho não acalma os meus pensamentos e muito menos os meus músculos tensos. A hora do jantar, terrível. O medo assombra-me, comer assusta-me. Por muito que tenha fome os alimentos decidem não querer escorregar-me pelo esófago, ficam presos. A dificuldade em engolir torna-se grande. Cabeça a quinhentos, estômago a zero. Decido desistir da tarefa de comer, não querendo vomitar de seguida. Deixo para quando estiver melhor - penso. Concentro-me depois nas dores de estômago que são enormes, um gosto amargo na boca e o medo de ir dormir. Hora de dormir, cabeça a mil. Medo de acordar durante a noite para vomitar, medo de acordar para desmaiar, medo de fechar os olhos e sentir aquelas malditas tonturas, medo de dormir. Medo de tudo. As horas passam e o sono não aparece, a cabeça teima em pensar em coisas más porque as boas parecem sempre ter fugido, mas sei que as há. Quando finalmente me encontro em repouso há algo que me faz cair na realidade novamente, acordar só porque sim durante a noite. Acordar nervosa, acordar dormente, acordar para desmaiar, acordar enjoada, acordar seja lá por que for e ficar nervosa. Não conseguir dormir, ver as horas a passar e pensar que devia estar a dormir porque amanhã é um novo dia e há coisas a fazer. As horas de sono não se recuperam. O corpo acumula cansaço, a cabeça começa a querer explodir. O medo instala-se em mim, dia após dia, cada vez pior. Deixo de conseguir fazer coisas tão simples como ir jantar fora, ir a uma discoteca, frequentar sítios com muitas pessoas, ouvir muito barulho. A ansiedade condiciona a minha vida e sinto-me fraca por isso. 18 anos e a vida toda pela frente, esforço-me ao máximo para sair deste buraco, mas sei que vai ser sempre algo que me vai acompanhar para onde quer que eu vá, vai estar sempre presente.
Tenho imensa pena que as pessoas não estejam devidamente informadas sobre a doença que é a ansiedade (quem fala em ansiedade fala de outro tipo de doenças de foro psicológico). É muito fácil dizer "Bola para a frente! Relativiza, a vida não vai acabar!", "Tão nova e já assim? Isso é psicológico!", "Isso passa, é impressão tua.", mas não passa e, por muito que se tente chutar a bola para a frente, nem sempre é fácil. Quando se fala na ajuda de um psiquiatra, meu deus, é o fim do mundo. "Coitadinha, tão nova e já num psiquiatra. Vai ficar maluquinha quando envelhecer!" É difícil contornar este problema sem ajuda dos que nos rodeiam.
É importante ajudar, estar atento, pois alguém à tua volta pode precisar de ti e não é com falinhas mansas que as coisas resultam. É preciso ter e dar força, é preciso acreditar. É preciso não cair no desespero. Ajuda alguém a sair desse poço, faz ver que a vida é bela e que a ansiedade, sendo controlada, pode ser uma coisa boa. Há muito a explorar, muito a viver.
E a ti, tu que sofres de ansiedade, acredita que vais conseguir sair disto. Eu acredito que vou, nada é incontrolável para sempre.

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2 comentários

  1. Linda,
    São cada vez mais as pessoas que sofrem de ansiedade...não posso indicar uma "receita" mágica, mas posso dizer-te que todos nós somos mais fortes do que pensamos! Não te isoles e pede ajuda aos que te rodeiam! Bem-vinda à blogoesfera e que ela te traga paz, momentos de descontracção e positivismo! Beijinho.

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    Respostas
    1. Tenho-me apercebido que há imensa gente como eu, embora seja mau, isso conforta-me! Não sou a única, há mais gente que me compreende... Mas acredito que com força de vontade tudo se consegue. Muitas vezes isolo-me, mas tenho tido muita sorte, todos os que me rodeiam têm sido espetaculares!
      Muito obrigada pelas boas vinda e pelo comentário, muitos beijinhos!

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